ADUFRGS repudia extinção de Comitê Covid da UFRGS

Sindicato alerta que comitê se faz ainda mais necessário no momento em razão do aumento de casos, internações e óbitos relacionados à covid-19.

Por Sul 21 sul21@sul21.com.br

 

A Adufrgs-Sindical (O Sindicato Intermunicipal dos Professores de Instituições Federais de Ensino Superior do Rio Grande do Sul) divulgou nesta quarta-feira (22) uma nota em que “repudia veementemente” a decisão do reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Carlos André Bulhões Mendes, de extinguir o Comitê Covid, comissão criada dentro da instituição para desenvolver o plano de contingenciamento da covid-19.

Em 15 de junho, Bulhões editou a Portaria n° 3374, que extinguiu portaria anterior, que determinou a criação do Comitê. No documento, Bulhões justifica a extinção citando o fato de que o Ministério da Saúde declarou, em 22 de abril, o encerramento da emergência de saúde pública em razão da covid-19, e a instrução normativa do Ministério da Educação publicada em 5 de maio, que estabeleceu o retorno dos servidores ao trabalho presencial.

Ele também anunciou a criação de uma comissão acompanhamento para substituir o comitê e destinada a monitorar a evolução dos casos de Covid-19 na universidade e passar orientações sobre as medidas de proteção no âmbito do retorno presencial de todas as atividades de ensino, pesquisa, extensão e inovação na UFRGS.

Em sua nota, a Adufrgs pondera que a administração da UFRGS repetidamente não acatou as recomendações sanitárias feitas pelo comitê e que, agora, encerra os trabalhos em uma decisão monocrática do reitor. “Diante dessa postura da administração da UFRGS em não cumprimento de seu compromisso de promover o planejamento e assumir a responsabilidade na gestão do processo, a ADUFRGS-Sindical, volta a cobrar providências da Reitoria para que assuma seu papel como órgão coordenador central. A medida do reitor contraria o que defendem renomados cientistas, que consideram uma temeridade abolir as normas sanitárias nesse momento em que a pandemia ainda não acabou”, diz o sindicato.

A Adufrgs considera ainda que o comitê se faz ainda mais necessário no momento em razão do retorno presencial das aulas e do aumento de casos, internações e óbitos relacionados à covid-19.

Também por meio de nota, representantes de entidades presentes no Comitê Covid disseram que foram surpreendidos pela decisão no início da última reunião da comissão, realizada no dia 20 de junho.

“Na condição de representantes da comunidade, através das nossas Entidades, manifestamos nossa indignação a esse ato de atropelo e de evidente despreocupação com as condições de segurança sanitária, em um momento em que todos deveriam estar dedicados a garantir condições ambientais adequadas de trabalho e de aprendizagem para Estudantes, Docentes e Técnicos”, diz a nota.

Segundo as entidades, a substituição do Comitê Covid pela comissão prejudica o trabalho de monitoramento da evolução do vírus, uma vez que o novo órgão seria menor e não teria a mesma representação do Comitê Covid, que tinha a presença de entidades que representam estudantes, professores e técnicos.

“Trata-se de uma atitude com notória intenção de eliminar posições divergentes que eram sustentadas pelas nossas entidades, na defesa da vida, mas que agora foram excluídas deste espaço”, diz a nota, assinada por representantes da APG (Associação dos Pós-Graduandos), da Adufrgs, da Assufrgs (Sindicato dos Técnicos-Administrativos da UFRGS), da Andes (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior), do DCE (Diretório Central da Universidade) e do Conssat (Comissão de Saúde e Ambiente de Trabalho da Assufrgs).

 

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