Estudo e ousadia: veja como foi a primeira aula do Curso Realidade Brasileira na ADUFRGS

Aulas seguem mensalmente até setembro

O Curso Realidade Brasileira, iniciativa da ADUFRGS-Sindical que une forças de diversos movimentos populares como o MST, Movimento Brasil Popular, Comitês Populares, Levante Popular da Juventude e CUT RS, teve início neste sábado, 27, na sede da ADUFRGS em Porto Alegre, com a primeira aula ministrada pelo economista Marcio Pochmann.

O curso, dividido em seis aulas mensais, busca estimular a reflexão e o diálogo sobre os desafios que impactam a vida e o dia a dia do povo brasileiro. Por meio do compartilhamento de experiências e da construção de redes de solidariedade, o curso contribui para que os participantes desempenhem um papel ativo na construção de um Brasil mais justo, inclusivo e democrático.

Na sua exposição pela manhã, o economista fez um apanhado de questões históricas da formação econômica do Brasil, passando pela Lei de Terras, década de 1930, industrialização, até os dias de hoje, com mudanças nas taxas de natalidade, agenda do meio ambiente, reflexões sobre tecnologia, educação, era digital e sujeitos sociais, mercado, capital, crédito e marginalidade. Também abordou a necessidade de identidade e pertencimento, os vácuos sociais ocupados por grupos diversos, de igrejas ao crime organizado, onde os novos sujeitos não procuram partidos e sindicatos. Economia e política abordados do ponto de vista do dia a dia dos brasileiros, intercalando os desejos e sonhos com a realidade do cotidiano de falta de infraestrutura, transporte, creches. “O Brasil não desenvolve por uma questão política ou econômica?”, provocou. Após a fala de Pochmann, os participantes foram distribuídos em grupos para discutir e propor ideias sobre os temas levantados para debate na parte da tarde.

“Para discutir hegemonia é preciso um projeto de pelo menos 50 anos”. Assim retomou Pochmann as discussões na parte da tarde. “O Estado do Brasil não serve ao povo brasileiro, serve ao andar de cima. Não faz reforma”, complementou.

O economista também falou sobre polarização. “Será que há 20 anos não havia [polarização]? A internet abriu a possibilidade de todos se manifestarem. Antes talvez não fosse expressada, recebia notícia do jornal mas ia falar para quem?”, refletiu.

Sobre perspectivas, falou sobre mudança de paradigmas. “Pensar futuro é pensar com ousadia. Não dá pra pensar da mesma forma que no passado. É preciso entender o país, a população”, afirmou. “Os abolicionistas partiam do princípio de falar sobre liberdade e direitos, coisas que não existiam na perspectiva daquelas pessoas”, exemplificou. “A história vai apresentando alternativas, seja ao capitalismo, às novas tecnologias”, disse o economista.

A tecnologia, apontou o economista, está mudando a natureza do trabalho. “Temos uma revolução. Não industrial, mas do trabalho, pois não estão sendo introduzidos novos produtos. O que mudou foi a natureza da produção, mudanças informacionais”, complementou. No Brasil, Pochmann afirma ver pouca inovação tecnológica.

Entre bancos, no ramo financeiro, há mudanças mais visíveis no trabalho e emprego, “e nem sempre vemos essas mudanças”, comentou. “Uma parte dos bancos foi deslocada para agências lotéricas”, demonstrou, acrescentando as formas de terceirização.

“Não soubemos entender as mudanças no mundo do trabalho. Call center, operadoras, tv a cabo. Temos dificuldade de ouvir, de conhecer a linguagem das pessoas. Precisamos estudar e preparar nossas lideranças. A direita se preparou”, resumiu. “Há uma batalha na comunicação. Como nós informamos. A linguagem que nós temos. As pessoas muitas vezes trabalham melhor com a imagem, a fotografia. E o futuro do Brasil está se do discutido hoje”, encerrou, deixando a provocação de soluções para as próximas aulas do curso: “pior que a miséria material é a miséria de ideias; o que nos impede de mudar é o medo de ousar”. Pochmann lembrou a necessidade de formação e compreensão histórica, como a de que o fascismo não acabou, para enfrentar os desafios.

A vice-presidenta da ADUFRGS-Sindical lembrou que o último módulo trata justamente da construção de elementos-chave para construir um projeto popular e de transformação social e convidou para as próximas aulas.

Os diretores Paulo Xavier (Assuntos Jurídicos), Mariliz Gutterres (Assuntos de Aposentoria e Previdência), Maria Cristina Martins (Relações Sindicais) e Roger Elias (EBTT) também prestigiaram a aula junto com filiados, participantes de diferentes movimentos sociais e sindicatos, como a presidenta do Sindiedutec, Rosângela Gonçalves, e o vice-presidente Guilherme Sachs, membros do PROIFES-Federação.

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