ADUFRGS-Sindical está engajada na luta em combate à violência contra as mulheres e na defesa dos Direitos Humanos

O Novembro Negro marca a luta de combate ao racismo e também intensifica o combate à violência contra as mulheres em ações que culminam em 10 de dezembro, data da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A ADUFRGS-Sindical está unida às centrais sindicais e movimentos feministas celebraram o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher. Esse movimento combate qualquer tipo de violência, seja física, psicológica, moral ou patrimonial.

De acordo com a diretora de Comunicação da ADUFRGS-Sindical, Sônia Mara Ogiba, que compõe o GT de Direitos Humanos do sindicato e integra a Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT/RS, a participação feminina nos espaços de poder e nos sindicatos enfrenta, muitas vezes, violência política. Uma das iniciativas para enfrentar essa situação é a atuação da ADUFRGS-Sindical junto ao PROIFES-Federação que faz parte da Rede de Mulheres Trabalhadoras da América Latina - Internacional de Educação da América Latina-IEAL.

“A Rede propõe a formação das mulheres sindicalistas para combater essa situação de violência dentro do movimento sindical. Pelo fato de nós vivermos em uma sociedade com fortes raízes patriarcais, esse patriarcado tende a excluir as mulheres. Às vezes, esse fenômeno é sutil e por isso precisamos estar atentas aos pequenos gestos e sinais que vêm de outro gênero”, alertou a professora Sônia.

A professora Sônia salienta que a ADUFRGS-Sindical tem na sua história a inclusão de mulheres. “Tivemos quatro presidentas mulheres, a professora Rejane Carrion (1979-1981), a professora Maria Assunta Machado (1981-1983), a professora Maria Aparecida Castro Livi (2002-2004) e a professora Maria Ambros von Holleben, por duas gestões (de 2011 a 2016), mas ainda temos muito que avançar. O movimento internacional de mulheres defende a paridade de gênero dentro da luta sindical. Hoje somos três mulheres em uma diretoria composta por 11 membros. Temos de lutar para que mais mulheres participem”, reforçou.

Sônia atribui a violência contra as mulheres ao contexto da necropolítica. “Segundo a IEAL, a violência contra as mulheres é reconhecida como um problema social de grandes dimensões. É produto de uma organização social e de um estado, que exerce essa política de morte e de não valorização da vida”, comentou.

Para a diretora e Comunicação, erguer a voz é uma forma de combater a violência contra as mulheres e ocupar espaços. “Inspirada na obra da professora, ativista e feminista negra bell hooks, que escreveu o livro chamado Erguer a Voz, procuro me posicionar dentro do movimento sindical. A autora é freiriana na militância e na prática política”, ressaltou. “Procuro não me calar, pois calar causa adoecimento e significa ter medo. É necessário ter amor, como disse bell hooks, mas não o amor como sentimento, e sim o amor como afeto, aquilo que nos afeta na relação com os outros”, refletiu. “Assim como o ensinamento do educador Paulo Freire, a autora defende amorosidade e generosidade em nossas palavras e nos gestos nas relações com os outros.”

Segundo a professora, a pauta dos direitos humanos é uma proposta de atuação política na sociedade, nos movimentos populares e nas lutas sindicais dentro das instituições. “Sem direitos humanos não há democracia”, defendeu. “A ADUFRGS-Sindical e o PROIFES-Federação possuem GTs de discussão dos Direitos Humanos como parte da luta sindical”, informou.  

Sônia citou ainda a feminista Silvia Federici para explicar o papel das mulheres na sociedade. “Conforme a feminista, as mulheres têm tido o desafio, ao longo da história, de reimaginar e reencantar o mundo. As mulheres são as tecelãs da história”, mencionou.

“Defendemos um mundo em que homens e mulheres estejam lado a lado tecendo a história. Para a psicanálise, a fala contribui para a cura. As mulheres têm o poder da cura e os homens, jovens e crianças também. Palavra é fala e fala é palavra”, refletiu a professora Sônia.

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