Mundo se despede de bell hooks, um ícone do pensamento feminista negro

Com imensa tristeza, a ADUFRGS-Sindical lamenta a morte da professora, ativista e feminista negra bell hooks ocorrida ontem, dia 15 de dezembro, nos Estados Unidos. Sua partida, aos 69 anos de idade, sangra os corações de mulheres e homens que lutam por justiça social.

Mas o que conforta o peito de seus admiradores é o seu legado que permanecerá vivo. Um de seus livros “Erguer a voz” é prova de que suas palavras não calaram e seguem com força e encorajamento para as educadoras/es e para o movimento feminista e antirracista.

Reconhecida pela sua maestria ao expor as relações íntimas entre o racismo e os papéis de gênero na sociedade, ela deixa uma forte contribuição à sociedade em mais de 40 obras publicadas em 15 idiomas diferentes. Recentemente lecionava na Universidade Berea College, no Kentucky, sua terra natal. Sua trajetória é marcada pela resistência no combate ao racismo. Ela estudou em escolas segregadas entre negros e brancos nos EUA, cursou faculdade em Stanford, mestrado Wisconsin e doutorado em literatura na Califórnia.

A ativista integrou o hall da fama dos escritores do Kentucky e foi homenageada pela Universidade Berea, que idealizou o Instituto bell hooks.

Emocionada com a morte de bell hooks, a professora Sônia Mara Ogiba, diretora de Comunicação da ADUFRGS-Sindical e participante do GT Direitos Humanos do sindicato, comentou sobre o legado da intelectual negra. “bell hooks nascida como Gloria Jean Watkins, quando ainda criança assume por inspiração, em um gesto de ternura e agradecimento, o nome da sua bisavó materna (Bell Blair Hooks). Ela estará sempre presente entre todos e todas nós educadoras, feministas e antirracistas que desejamos um mundo sem preconceitos, sem discriminação e que sonhamos com uma educação capaz de contribuir para a existência de uma sociedade descolonizada”, refletiu. “A sua obra é marcada pelo amor como afeto e uma ação capaz de transformar mundos e pessoas. Ficamos com a sua “Trilogia do Amor”, como uma herança a ser cuidada e expandida entre as futuras gerações. Nas lutas feministas, na militância no feminismo negro, na educação, bell foi luz, farol e esperança”, concluiu a professora.

Sônia ainda complementa, explicando que a grafia bell hooks assinada por ela em letras minúsculas visava dar corpo à sua escrita e não à pessoa.

bell hooks foi homenageada durante a programação do Novembro Negro da ADUFRGS-Sindical, que além das ações de celebração à cultura afro-brasileira e de combate ao racismo estrutural, também marcou os 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher.

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