Segundo pré-encontro preparatório ao XVII Encontro Nacional do PROIFES-Federação debate Eixo 2

O tema “Gestão democrática das IFEs e desafios da Ciência e Tecnologia” foi abordado pelo professor da UFRGS, Carlos Alexandre Netto

Na noite de quarta-feira, 8, a ADUFRGS-Sindical realizou o segundo pré-encontro em preparação ao XVII Encontro Nacional do PROIFES-Federação. O Eixo 2 “Gestão democrática das IFEs e desafios da Ciência e Tecnologia”, foi abordado pelo médico e professor da UFRGS, Carlos Alexandre Netto.

Com transmissão ao vivo pelo YouTube do sindicato, o evento virtual teve início com a saudação do presidente da ADUFRGS-Sindical, Lúcio Vieira. “O tema deste eixo é relevante para o movimento sindical. A educação, a ciência e a tecnologia são fundamentais, principalmente diante da pandemia”, destacou.

O encontro virtual teve a participação da diretora de comunicação da ADUFRGS-Sindical, Sônia Mara Ogiba, e do diretor tesoureiro do sindicato e diretor de Relações Internacionais do PROIFES-Federação, Eduardo Rolim.

O professor Carlos Alexandre comentou sobre a crise humanitária no País, que causou a morte de 584 mil brasileiros por Covid-19. “Se o Brasil estivesse respeitado os protocolos de segurança e acelerado a compra de vacinas e processo de imunização, essas mortes poderiam ter sido evitadas”, ponderou. “Hoje vivemos um colapso com o enfraquecimento da economia, fome, desemprego, mais de 5 milhões de crianças fora da escola e o crescente aumento das desigualdades sociais”, observou.

No começo de sua explanação, Carlos Alexandre enalteceu o papel das universidades públicas na realização de pesquisas para a produção de vacinas em prevenção à Covid-19 para a população brasileira. O professor avaliou que parte da crise brasileira se deve à pandemia e outra parte pela falta de gestão da pandemia. “A tendência é a crise continuar. O vírus sobreviveu ao Brasil. Vivenciamos hoje o avanço das pautas conservadoras e a política anticiência e antieducação”, enfatizou.

Carlos Alexandre comentou sobre o orçamento em políticas públicas. “O orçamento de 2021 para educação e saúde é vergonhoso, destruiu os direitos sociais do povo brasileiro. Constatamos uma queda de 40% no orçamento para a ciência, tecnologia e educação”, protestou. “O Brasil desistiu da ciência e da educação.”

Segundo o professor, existe um clima de desesperança entre os pesquisadores. “O orçamento do CNPQ que era de 1,1 bilhão vai reduzir significativamente. Programas que dependem de laboratório e materiais de insumo não estão aceitando novos estudantes”, mencionou. “O País forma mais de 11 mil doutores por ano, que poderiam ser absorvidos pelas universidades por meio de concurso público. No entanto, o governo aposta no enfraquecimento das universidades públicas e desconstitui o concurso público”, advertiu.

O professor também criticou a “guerra cultural” nas universidades em relação à liberdade de escolha de seus dirigentes. “O desrespeito à autonomia dentro das instituições é preocupante. O fato de o governo nomear um reitor que não foi eleito pela comunidade universitária é uma afronta à democracia”, considerou. “O Conselho Universitário da UFRGS chegou a solicitar a destituição do reitor pelo descumprimento das decisões do CONSUN. A atitude recebeu apoio de diversas entidades ligadas à educação, que defendem a autonomia e democracia nas universidades”, enfatizou.

Carlos Alexandre analisou que o projeto institucional do governo Bolsonaro consiste em enfraquecer a universidade pública. “Para combater esse projeto, a academia precisa retomar o debate político com a sociedade em defesa da educação, ciência e tecnologia”, alertou. “O momento é ameaçador e ainda existe muita acomodação. Necessitamos de lideranças para tomar frente a essa luta. Cultivar a esperança nos jovens é fundamental nesse momento. Temos uma legião de pessoas sem emprego, sem educação. Temos a convicção que educação é uma oportunidade e gera valor”, refletiu.

Assista a live aqui.

Participe do próximo pré-encontro, dia 14/9

O 3° pré-encontro preparatório ao XVII Encontro Nacional do PROIFES-Federação acontece no dia 14 de setembro, terça-feira, às 18h30. Estará em debate o Eixo 3 “Carreira, salário, condições de trabalho e aposentadoria, e atuação docente na pandemia e pós-pandemia” com o diretor de Relações Internacionais do PROIFES-Federação e diretor tesoureiro da ADUFRGS-Sindical, Eduardo Rolim.

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