Cinco anos sem aumento: professores federais seguem sem reajuste desde 2017 e já acumulam 32,9% de perdas, diz presidente da ADUFRGS-Sindical

A defasagem e a reposição salarial dos professores federais foi pauta do Bom Dia, Democracia desta quarta, 16, na Rede Estação Democracia. O presidente da ADUFRGS-Sindical, professor Lúcio Vieira, foi entrevistado no programa, e lembrou que os docentes estão há cinco anos sem aumento, acumulando 32,9% de perdas. O sindicalista também salientou a total falta de diálogo do atual governo.

Assista a entrevista e confira aqui os principais pontos abordados.

O presidente da ADUFRGS começou sua fala destacando que é preciso discutir porque os professores precisam fazer uma campanha para reivindicar “nada mais que o reajuste do seu salário de acordo com a inflação”. “Em qualquer país civilizado, onde a Educação tem importância, isso não tinha nem que ter que ser discutido, era para ser automático. Mas nós vivemos em um país em que, infelizmente, o mandatário não tem a Educação como questão central”, afirmou Lúcio Vieira. O sindicalista acrescentou que, ao contrário, o governo escolheu a Educação como um dos “inimigos do seu governo”. “Talvez porque seja exatamente a área, em uma democracia, em que se permite uma visão crítica”, completou.

“Estamos há cinco anos sem reajuste salarial, uma perda acumulada que já chega próximo de 33%, e o governo insiste em não prever qualquer reajuste. Nos quatro anos do atual governo, que termina no final deste ano, não houve nenhum reajuste de salário, e ainda se considerar o ano anterior, do governo anterior, também não houve”, criticou Lúcio Vieira, que ponderou a significativa perda de poder aquisitivo frente a um cenário de inflação crescente. 

Por tudo isso, relatou Vieira, é que os professores protocolaram via PROIFES, no final de janeiro, a pauta de reivindicações da categoria nos ministérios da Educação e da Economia. “São 15 itens, protocolados por meio da nossa Federação, e o reajuste salarial é um desses pontos, certamente o mais significativo do ponto de vista imediato para a vida dos professores, na busca de que se abra um canal de negociação. Isso está sendo feito todos os anos”, explicou Vieira. “E em nenhum momento o governo abre esse canal de negociação ou manifesta-se com a vontade de discutir o assunto”, lamentou o professor.

Dentro desse quadro, afirmou o sindicalista, é que a ADUFRGS-Sindical está com uma campanha salarial no ar (veja aqui) na busca de esclarecer a sociedade quanto ao motivo das reivindicações dos professores. 

Vieira também informou que o tema será pauta de reunião nacional dos professores. “Na sexta-feira [18] vamos reunir o Conselho do PROIFES-Federação e a direção para discutir os próximos passos e cobrar fortemente que o governo nos receba e abra esse canal de negociação, porque não importa qual o governo ou sua posição, é uma obrigação do ponto de vista democrático em qualquer sociedade civilizada fazer essas discussões”, complementou.

O último reajuste, relatou Vieira, foi em janeiro de 2017. “Houve um acordo em 2015 que repunha parte das perdas divididas em duas parcelas, em 2016 e 2017 com o comprometimento de que o próximo governo, não importando qual, mas o Estado Brasileiro, iria continuar a discussão com os sindicatos e a Federação na busca de equacionar essas questões de reajustes e perdas acumuladas. De lá para cá, não houve nenhuma disposição de conversar”, denunciou.

Vieira ressaltou que é importante que a pressão “não pode ser somente dos professores”. “É importante que as pessoas, a sociedade como um todo, que compreende a importância dos professores, das universidades e institutos federais, também hajam junto aos seus parlamentares, Senado, governantes, pois a Educação é um patrimônio da sociedade. Pagar um salário digno a um professor não é uma despesa ou dinheiro que se coloca fora, é um investimento extremamente fundamental para qualquer sociedade. Não se faz educação sem um professor”, alertou. “Um bom professor terá dificuldades no quadro caótico em que muitas vezes as nossas escolas se encontram, mas se não tiver um bom professor, não adianta ter a melhor escola do mundo, o melhor laboratório, a melhor sala e os melhores equipamentos”, complementou.

Lúcio Vieira destacou que não existe “nenhuma possibilidade de termos uma Educação de qualidade nesse país se não tivermos um corpo docente bem formado, com boa carreira, salário de acordo com aquela formação exigida de um bom professor”. “Também queremos discutir com a sociedade a importância da Educação e do professor como quadro fundamental. O professor é essencial. É importante que haja uma carreira atrativa para manter os melhores quadros para uma Educação que faça o país elevar o seu nível de desenvolvimento social”, propôs o professor.

O Orçamento 2022 também foi lembrado pelo sindicalista. “O governo federal deu preferência aos servidores da segurança sem nenhuma razão ‘visível’. Não é demérito aos professores federais, mas não há razão para privilegiar uma categoria. O governo privilegia esse setor da sociedade sem levar em conta todos os demais. 

O professor Lúcio Vieira reforçou o problema da falta de diálogo do governo com os servidores, que atua como uma chefia que não fala com seus funcionários, deteriorando essa relação, em uma postura “extremamente antidemocrática” que “não ajuda em nada o país”. 

“Sequer acusaram o recebimento da nossa pauta, por isso vamos reunir os sindicatos de todo o país para pensar estratégias e articular com parlamentares e sociedade uma política de reposição salarial para os servidores públicos. Que se estabeleça uma mesa de negociação permanente”, pontuou Vieira.

O sindicalista apontou ainda que o reajuste salarial não é a única demanda dos professores. “Há questões permanentes. Não é só o salário que está congelado. O auxílio saúde, o vale-transporte, também estão congelados, tudo o que compõe a remuneração está congelado. Questões de aprimoramento da nossa carreira, que estavam em discussão, muitas delas sequer têm impacto salarial, não avançaram. É um governo que não conversa com o seu servidor, e faz parte do nosso papel sindical pressionar o governo e trazer esse debate para a sociedade”, finalizou.



Leia aqui todas as informações da campanha #ReposiçãoSalarialJá da ADUFRGS-Sindical e os pontos completos da pauta de reivindicações. Compartilhe os cards da campanha e fortaleça a luta dos professores e professoras pela Educação!

Comments powered by CComment

No thoughts on “Cinco anos sem aumento: professores federais seguem sem reajuste desde 2017 e já acumulam 32,9% de perdas, diz presidente da ADUFRGS-Sindical ”