ADUFRGS completa seis meses de ações solidárias com parcerias consolidadas

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A ADUFRGS-Sindical completou, no final de setembro, seis meses de ações solidárias iniciadas com a pandemia da COVID-19, em parceria com a RedeCoop, GiraSol e a Central Única dos Trabalhadores do RS (CUT-RS). O Sindicato doou, até o momento, 2.724 cestas de alimentos a comunidades em situação de vulnerabilidade social, o que equivale a 111 entregas semanais.

Segundo o tesoureiro da ADUFRGS, Eduardo Rolim, além das cestas, também foram doados 500 kits de higiene para populações em situação de rua, carne de frango para tribos indígenas, equipamentos e insumos para as instituições de base da ADUFRGS, e agasalhos produzidos pela Univens, cooperativa de costureiras de Porto Alegre. Tudo isso mobilizou mais de R$ 234,2 mil em recursos do Sindicato.

“Os sindicatos precisam se renovar e se aproximar da vida das pessoas. É isso o que estamos fazendo, atuando em outros aspectos além das questões corporativistas da carreira docente. Precisamos nos unir a outras entidades e cooperativas para enfrentar o atual modelo econômico do país que prejudica os trabalhadores”, pontua Rolim.

O papel social do sindicato é reforçado pelo diretor de Assuntos Sindicais da ADUFRGS, Jairo Bolter. “A campanha de solidariedade que a ADUFRGS iniciou acabou envolvendo muitas outras organizações sociais. Isso faz com que os sindicatos angariem mais apoio e legitimidade perante a sociedade como um todo, provando que são ferramentas em prol dos trabalhadores e das trabalhadoras”, afirma, destacando que a ADUFRGS foi responsável por cerca de 30% das doações de alimentos entregues pela CUT-RS à comunidade.

De acordo com o presidente da Central, Amarildo Cenci, as ações solidárias se estendem para além de Porto Alegre e Região Metropolitana, atingindo também as regiões de Pelotas, Santa Maria, Rio Grande, Passo Fundo, Serra, Santo Ângelo e outras do interior. Para se ter uma ideia do volume de entregas, somente na Região Metropolitana foram aproximadamente 300 toneladas de alimentos desde março.

“É uma experiência muito gratificante. E a ADUFRGS é uma das entidades que desponta nesta frente, com regularidade semanal desde o início, ao lado de outras diversas entidades e voluntários que estão contribuindo com esse processo”, esclarece Cenci, lembrando que além dos alimentos, há doação de roupas e máscaras de prevenção ao coronavírus e itens de higiene.

O presidente da CUT-RS conta que as ações do projeto “CUT nas Ruas” contemplam trabalhadores de galpões de reciclagem nas ilhas e em todas as zonas de Porto Alegre, a Pastoral da Criança do Bairro Humaitá, comunidades quilombolas, associações de vilas e bairros, ocupações urbanas e população de rua em situação extremamente precária, com o apoio de lideranças comunitárias, organizações de torcidas de futebol, conselheiros tutelares e entidades sociais. “Articulamos as entidades organizadas, os sindicatos, as cooperativas em uma experiência formidável num momento tão difícil, porque consideramos que solidariedade também faz parte da luta.”

Fortalecimento do cooperativismo

As ações sociais da ADUFRGS têm por objetivo contribuir para a melhoria de vida da população mais vulnerável do estado neste momento de crise sanitária, econômica e política e, além disso, fortalecer as iniciativas coletivas de geração de renda como as cooperativas da agricultura familiar. Em contrapartida, os associados e associadas também são beneficiados pela possibilidade de comprar alimentos orgânicos, sem veneno, a um preço justo e com entrega em domicílio.

Assim, a parceria com a Redecoop, rede que reúne mais de 40 cooperativas; a cooperativa GiraSol e a Coomafitt, do Litoral Norte, se tornou um sucesso. Segundo o presidente da Redecoop, Charles Lima, as compras de unidades da cesta popular da agricultura familiar por parte da ADUFRGS têm beneficiado cerca de 6,7 mil famílias de agricultores.

“Essa é a parceria mais consolidada que temos na Rede. Tivemos uma demanda maior no início da pandemia, com a participação de outras entidades, mas no momento quem está segurando de forma sistemática e periódica o apoio à agricultura familiar é a ADUFRGS”, reforça o presidente da Redecoop.

Para o coordenador da Cooperativa de Consumo GiraSol, André Mombach, a parceria com a ADUFRGS foi fundamental para viabilizar as condições iniciais para uma mudança intensa e abrupta na Cooperativa que recém tinha inaugurado seu Armazém na Avenida Venâncio Aires, 757 (foto). “Com a ampla divulgação e adesão da categoria, conseguimos atingir uma escala comercial que viabilizou a logística e uma relação de preço justo com os nossos fornecedores”, frisa.

 

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“Nestes seis meses de operação já realizamos mais 6 mil entregas, totalizando mais de 90 toneladas de alimentos orgânicos comercializados através do e-commerce da GiraSol. Para muitos agricultores e agricultoras, a GiraSol hoje é o principal canal de comercialização da sua produção. Esta parceria mostra que é possível construir um sistema cooperativo de abastecimento e consumo, estabelecendo relações diretas entre produtores e consumidores, fomentando relações econômicas assentadas na solidariedade e no bem viver”, ressalta Mombach, agradecendo aos associados e associadas da ADUFRGS que “ajudaram a fortalecer a agroecologia, o cooperativismo e agricultura familiar”.

Evolução do processo

De acordo com o presidente da Coomafitt, de Itati, Terra de Areia e Três Forquilhas, Bruno Engel Justin, as compras de cestas programadas semanalmente facilitou o planejamento logístico das cooperativas parceiras. Por meio da articulação em Rede, as cooperativas conseguem oferecer uma maior variedade de produtos em todas as regiões. “As trocas de produtos entre as regiões ficaram mais fáceis e isso é bastante importante para a estratégia de venda direta que as cooperativas começaram a fazer nesse período de pandemia”.

Com a nova realidade de delivery, a Coomafitt evoluiu tecnologicamente para atender às demandas das cestas populares, dos pedidos dos associados e associadas da ADUFRGS e de outras vendas diretas. “Começamos inicialmente com um formulário do Google e aprimoramos nossas ferramentas para qualificar o atendimento. Agora estamos trabalhando com uma loja online que permite que as pessoas escolham seus alimentos”, explica Justin.

A evolução da agricultura familiar e a parceria para levar alimentos saudáveis às pessoas que mais precisam não devem se encerrar com a pandemia, conforme os envolvidos nessas ações sociais. “Acreditamos cada vez mais que é um processo que veio para ficar, uma construção permanente deste mercado novo para a agricultura familiar, da aproximação com as pessoas. Com as demandas que vêm do consumo, espero que a gente consiga cada vez mais fazer uma transição para uma alimentação saudável, limpa, que incentive a agroecologia”, destaca o presidente da Coomafitt.

“Temos a certeza que as mudanças nas formas de comercialização experimentadas neste período de pandemia serão duradouras e seguiremos investindo na qualificação do nosso atendimento. Foi um período de intenso aprendizado e reorganização da Cooperativa para se ajustar as novas dinâmicas e hábitos dos consumidores”, comenta André Mombach, da GiraSol, destacando que a cooperativa está lançando sua Campanha de Associação e abrindo novos canais de diálogo, formação e informação.

“Nossa ideia é continuar com esse trabalho de cestas populares no pós-pandemia, até porque a fome e as necessidades das famílias mais carentes vão continuar, principalmente com o fim do auxílio emergencial”, aponta o presidente da Redecoop. “A entrega solidária das cestas tem sido um grande avanço e um desafio para a agricultura familiar. Essa conexão direta com quem precisa comer foi um aprendizado bem grande e surtiu efeito em outras áreas do cooperativismo também”, conclui Charles Lima.



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