Carta aos professores

Há 42 anos a ADUFRGS tem pautado sua luta na defesa dos interesses dos professores, com especial atenção às carreiras e salários. Estivemos presentes e atuantes na luta pela redemocratização do país e firmamos o compromisso de defender os direitos sociais, com destaque à educação pública, laica e gratuita. Para isso, buscamos promover, ao longo da nossa história, a unidade das múltiplas posições identificadas com a democracia, que estão presentes dentro da diversidade de pensamento existente nas universidades e Institutos que representamos. Conseguimos manter nossa entidade sindical independente de interesses restritos a grupos, partidos ou religiões. Esta posição, sempre referendada pela maioria dos nossos associados, tem se mostrado acertada, pois permitiu grandes vitórias.

Neste momento um novo desafio, intenso e grave, se apresenta. Além de todas as bandeiras que já erguemos, apresenta-se agora a emergência pela defesa da VIDA.

Estamos diante de um governo que rejeita os princípios elementares da organização social, desrespeita o direito à vida, à saúde, desdenha da morte de milhares de brasileiros, refuta os princípios básicos do conhecimento científico, desprestigia aqueles que se colocam na frente da luta, arriscando sua própria existência para salvar o próximo. Um governo que frustra inclusive aqueles que acreditaram nas suas promessas, que trai a humanidade e, indiscutivelmente, contribuiu de forma direta para a tragédia que se abate sobre a sociedade brasileira.

Não são poucas as evidências que nos permitem concluir a responsabilidade do atual Presidente da República com as graves consequências da pandemia que assola o país:  1. Negou a existência e a gravidade da pandemia, chamando-a de “gripezinha”; 2. Indicou à população o uso de medicamentos sem nenhuma comprovação, defendendo a automedicação, contrariando as orientações médicas e usando o dinheiro público para a aquisição desses medicamentos; 3. Colocou-se contra o uso de máscaras, inclusive negando-se em utilizá-la em ambientes públicos, desprezando as medidas de segurança indicadas pela Organização Mundial da Saúde; 4. Não tomou as devidas iniciativas para garantir a aquisição e desenvolvimento de vacinas para os brasileiros, desdenhando inclusive de uma das vacinas; 5. Dificultou a aquisição de insumos fundamentais para o combate à pandemia, tais como, seringas e agulhas, necessárias para a aplicação das vacinas;  6. Criou obstáculos diplomáticos com os principais países produtores da vacina e seus insumos básicos; 7. Se colocou contra a vacinação, passando a defender que as pessoas não se vacinassem; 8. Cortou recursos para a ciência e tecnologia desde seu primeiro dia de mandato, dificultando que o Brasil desenvolvesse sua própria vacina e medicamentos para o combate ao coronavírus; 9. No caso do Amazonas, não tomou as devidas providências, mesmo tendo conhecimento antecipado, para evitar a falta de oxigênio concorrendo diretamente para o colapso do sistema de saúde e consequente morte de dezenas de pessoas inclusive por aumentar o imposto sobre a importação dos cilindros utilizados no seu armazenamento; 10. Mantém campanha de desprestígio dos servidores e serviço público, atacando diretamente o SUS, único sistema capaz de enfrentar esta pandemia e nos tirar desta situação calamitosa.

Diante deste quadro catastrófico, o governo preferiu perfilar-se àqueles que se colocam contra a democracia, aos direitos humanos, a paz e a vida, e coloca em risco, assim, a própria soberania do Brasil.

Neste momento crucial para a vida nacional, a direção da ADUFRGS-SINDICAL conclama sua base de professores da UFRGS, UFCSPA, IFRS, IFSul, sempre comprometidos com a nação, a educação, a ciência e a saúde, a atenderem o chamado para unirmos forças exigindo mudança imediata na postura do Governo Federal no enfrentamento da crise sanitária, cobrando do Parlamento Nacional e do STF o imediato afastamento do governo Jair Bolsonaro e sua equipe sob pena de serem coniventes com o crime contra a humanidade que vem sendo perpetrado pelo atual governante.

DIA 18 de fevereiro, 17h, Assembleia Geral da ADUFRGS-Sindical para definirmos a posição dos professores na defesa da vida e da vacina para toda a população e mobilização para a carreata no dia 21 de fevereiro.

Diretoria ADUFRGS-Sindical



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