Os sindicatos precisam se reinventar, dizem sindicalistas

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O Conversas ADUFRGS Especial desta quarta-feira, 16 de setembro, discutiu a “organização do movimento sindical e os desafios para o PROIFES”. O tema representa o eixo 4 da pauta do 16º Encontro Nacional do PROIFES-Federação, que ocorre em novembro. Participaram da conversa transmitida pelo YouTube, o tesoureiro da ADUFRGS, Eduardo Rolim de Oliveira, e o presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci. O debate foi mediado pelo diretor de Relações Sindicais da ADUFRGS, Jairo Bolter.

Rolim iniciou sua fala explicando como será o Encontro do PROIFES, que ocorrerá de forma virtual entre 4 e 7 de novembro e irá debater texto de referência já divulgado na Área do Associado do site institucional da ADUFRGS. Os associados terão a oportunidade de discutir os cinco eixos propostos para o evento nacional no encontro local que a ADUFRGS promoverá nos dias 25 e 26 de setembro.

Autonomia e liberdade

Antes de falar especificamente do tema da live, o tesoureiro da ADUFRGS destacou a nomeação do professor Carlos Bulhões, terceiro colocado da Lista Tríplice enviada para o Ministério da Educação, como reitor da UFRGS. “Claro que eu não poderia iniciar essa discussão sem fazer uma menção à nomeação que saiu esta madrugada no Diário Oficial da União. A ADUFRGS tem uma posição muito clara em defesa da autonomia de todas as universidades e institutos federais”, principiou.

Para o tesoureiro da ADUFRGS, essa nomeação e outras atitudes do governo Bolsonaro – como a tentativa de eliminação da consignação em folha do pagamento do pagamento aos sindicatos – fazem parte de uma política de ataque à liberdade sindical e às liberdades individuais, que visam “calar a voz de quem defende posições diferentes” das defendidas pelo presidente da República. “É uma política de um governo que não aceita o contraditório e a liberdade da luta sindical. A ADUFRGS não compactua com isso, nasceu na luta contra a Ditadura Militar e vai defender a livre manifestação de seus associados e a livre expressão das nossas posições políticas.”

Desafios do movimento sindical

Rolim falou sobre os desafios do movimento sindical no contexto atual. Para ele, reforçar os sindicatos e suas formas de atuação é uma das maiores preocupações que os trabalhadores devem ter no momento, por conta da Reforma Administrativa e outras iniciativas em curso, que pretendem acabar com o serviço público e reduzir o tamanho do Estado.

Esse fortalecimento se dá por diversas maneiras, segundo Rolim. Uma delas, é aproximando o sindicato da vida das pessoas. “A gente precisa reinventar a própria ideia do sindicato, um sindicato que seja um instrumento de defesa dos trabalhadores em todos os aspectos da vida”, afirmou.

Por essa razão, explicou o tesoureiro da ADUFRGS, o sindicato vem realizando parcerias com cooperativas e estimulou a criação da CRESOL Metropolitana, cooperativa de crédito, que beneficia os trabalhadores urbanos com um sistema de cooperativismo – que já existe no meio rural – voltado para a construção de instrumentos de luta.

“O oferecimento de serviços, não apenas financeiros, mas de convênios e de parcerias com instituições da sociedade civil, é um aspecto. Mas não é o único”, continuou Rolim, “a gente precisa imaginar que a ideia de um consumo solidário, consciente e cooperativo é uma nova forma de se colocar frente ao mercado especulativo que tenta tirar a renda dos trabalhadores.”

Rolim relembrou que o PROIFES nasceu há 15 anos da ideia de ter uma entidade forte para negociar nacionalmente e que neste tempo foram feitos grandes avanços para a carreira docente. “Mostramos que existe uma forma de fazer o sindicato, que pode combinar a luta direta da resistência com propostas, proposições e avanços via negociação”, enfatizou.

Contudo, a busca do diálogo no contexto atual, em que o governo está fechado para negociações, conforme complementou o diretor da Adufrgs, e do PROIFES-Federação, é um “grande desafio” para todas as entidades de defesa dos trabalhadores. Por isso, concluiu “os sindicatos terão que se reinventar”.

Referência para a sociedade

O presidente da CUT-RS, professor Amarildo Cenci, agradeceu a parceria da ADUFRGS em ações sociais organizadas pela Central e que culminaram na entrega de mais de 250 toneladas de alimentos às comunidades vulneráveis da Região Metropolitana – entre população de rua, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, catadores e outras.

Ele também destacou que a nomeação do terceiro colocado da lista para a Reitoria da UFRGS “é um ataque à autonomia e às estruturas sociais, é colocar o governo para gerir a universidade”. “A UFRGS é um bastião nacional da democracia, então, nomear (outro que não o primeiro colocado) significa retirar a autonomia e meter a mão nos direitos de toda a sociedade”, opinou.

Segundo Cenci, o fortalecimento e a união dos sindicatos são fundamentais para enfrentar o momento de sucateamento e privatização dos serviços públicos. “O sistema em crise busca privatizar tudo, além da dívida pública que já é uma privatização do Estado como tal”, frisou.

Além disso, observou o presidente da CUT-RS, “temos em curso uma mudança no mundo do trabalho que se desloca para as plataformas virtuais e nós, da Educação, sabemos o quanto isso influencia no nosso trabalho. Tudo indica que mesmo com a vacina, uma parte muito expressiva do trabalho será mantida virtualmente somente para auferir resultados financeiros, porque a grande parte do setor privado da educação brasileira está na mão das grandes empresas”.

Cenci falou, ainda, sobre a política macroeconômica, o que esperar das eleições nos Estados Unidos e suas consequências na relação da superpotência mundial com o Brasil; mencionou a política estadual, com congelamento de salários e aumento de taxas tributárias para os mais pobres. Ressaltou o aumento do valor da cesta básica no país. Para ele, essas e outras questões se relacionam com a vida de todos os trabalhadores e trabalhadoras e, portanto, as pautas não podem se manter corporativistas.

“Qual é a agenda do período?”, questionou o presidente da CUT-RS, enumerando algumas estratégias para a luta sindical: “primeiro, (ter) muito trabalho coletivo e respeito às diferenças, depois transversalizar as lutas e realizar ações que nos fortaleçam na nossa representatividade”. “O movimento sindical tem que crescer, se fortalecer, ser representativo e as organizações sociais devem se organizar com o seu território e com instituições públicas que funcionem bem”.

Para Cenci, é importante lembrar que o trabalhador não é apenas aquele que tem suas reivindicações trabalhistas, mas é a pessoa que mora em algum lugar, que se alimenta, que tem conta bancária, e que “nessa conexão que o sindicato faz com todos os direitos do trabalhador, ele ganha essa pessoa para as causas locais, do seu bairro, da sua comunidade”.

O mediador do debate, Jairo Bolter, enfatizou as falas dos professores convidados. Segundo ele, “o sindicato dos professores precisa se conectar a esse momento, ir além da carreira na defesa do que mais importa para a sociedade, que é a defesa do bem-estar social”. O diretor da ADUFRGS também destacou as parcerias do Sindicato com o terceiro setor para enfrentamento da crise política, social, econômica e sanitária pela qual o país atravessa e lembrou que “foram em anos difíceis que surgiram importantes organizações sindicais e sociais”.

Lives preparatórias

Esta foi a segunda live do “Conversas ADUFRGS Especial” que trata dos temas do 16º Encontro Nacional do PROIFES-Federação. Na próxima quarta-feira, 23, o tema em debate será “Educação pública em tempos de pandemia: carreira, salário e condições de trabalho”.

O presidente do PROIFES, Nilton Brandão esteve entre os expectadores da live. Veja os comentários dele e de outros participantes no chat do YouTube:

“Solidariedade do PROIFES aos democratas da UFRGS. O PROIFES-Federação manifesta total discordância com intervenção do governo federal contra a autonomia da UFRGS. Lutaremos pelo respeito à decisão da comunidade universitária que escolheu democraticamente quem deve representá-la na reitoria. Mais uma vez se mostra correta a preocupação histórica do PROIFES na defesa da regulamentação da autonomia universitária.”
Brandão Nilton – PROIFES

“Bela reflexão. parabéns aos organizadores.”
Clúvio Soares Terceiro

“Olá a todos. Na expectativa do que organizaremos a partir de hoje, a respeito dessa nomeação.”
Laura Bannach Jardim

“Bom dia a todos, sigamos atentos e ativo/inativos como servidores e cidadãos… Agradecida por este evento, seus organizadores e convidados.”
Marilene Schmarczek

“A Adufrgs sindical é uma referência em democracia, solidariedade e lutas.”
Claudir Nespolo

“Muito orgulho pela parceria com a Adufrgs. As pessoas receberem agasalhos novos foi emocionante.”
Nelsa Inês Fabian Nespolo (Univens)

“Sempre na luta! Mesmo sem pandemia, somos todos grupo de risco!”
Paulo Mors

Esta e todas as lives ficam disponíveis no canal da ADUFRGS no YouTube. Assista.



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