ADUFRGS-Sindical e CPERS-Sindicato fomentam o debate sobre os desafios da educação no mundo contemporâneo

A Conferência Internacional Antifascista reúne mais de 120 palestrantes de cerca de 30 países e segue até domingo (28/03), em Porto Alegre.

O envelhecimento da categoria docente e a necessidade de inserir a comunicação como centro das estratégias de luta política dos sindicatos foram destaques na manifestação do jornalista Leandro Demori (ICL), durante o debate “O desafios da educação no mundo contemporâneo” realizado no sábado (28/03), na Faculdade de Arquitetura da UFRGS.

A atividade autogestionada foi promovida pela ADUFRGS-Sindical junto ao CPERS-Sindicato e fez parte da I Conferência Internacional Antifascista, que iniciou dia 25 de março e segue até domingo (29/03), em vários locais de Porto Alegre.

O debate contou com os comentaristas Fátima Silva (CNTE), Juliana Bergmann (UNE) e Hugo Yasky (CTA Argentina) com a mediação do presidente da ADUFRGS-Sindical Jairo Bolter e a presidente do CPERS-Sindicato, Rosane Zan.

Em sua fala, Leandro Demori lançou uma provocação sobre a falta de jovens professores e professoras na militância da educação e da sala de aula. O jornalista também salientou que a comunicação ainda tem sido tratada depois das decisões políticas dos sindicatos. “Isso tem a ver com a quantidade de jovens na militância, enquanto não fizermos uma revolução estética através da comunicação para criar uma narrativa de que ser professor é muito legal, não vamos atrair jovens para serem professores”, ressaltou. “É uma reformulação estética de como a população enxerga a categoria”, reforçou.

Demori destacou que a comunicação e as redes sociais reproduzem e vendem sonhos. “Toda a construção faz parte de um sonho, de uma promessa. Em uma luta, as pessoas se engajam pelo sentimento. A extrema direita, por exemplo, é mestra em vender sonhos utilizando realidades ultrapassadas”, comentou.

Em contrapartida ele questionou como os movimentos de esquerda e militantes da educação poderão atrair pessoas mais jovens para pensar estratégias de luta que enfrentem o projeto político da extrema direita. “Nas salas de aula estão vendendo a falsa promessa de empreendedorismo e isso precisamos combater”, concluiu.

O presidente da ADUFRGS-Sindical, Jairo Bolter, defendeu o papel da educação pública e dos educadores no antifascismo. “Seguiremos na luta em defesa da educação pública, da democracia, da liberdade e conta a injustiça social e qualquer tipo de violência. Junto ao CPERS-Sindicato, CNTE e PROIFES-Federação seguiremos lutando contra o avanço do fascismo e do neoliberalismo que está fragilizando a educação pública no mundo inteiro”, afirmou.

Fátima Silva (CNTE) defendeu que para ser professor é necessário melhores condições de trabalho e salários. A professora criticou o fato de El Salvador ter aprovado uma reforma constitucional que decretou prisão perpétua para menores. Ela também manifestou contrariedade com o fato de grande parte da juventude argentina apoiar Milei.

Hugo Yasky, que exerce seu mandato de deputado na Câmara contou que na Argentina o governo de Javier Milei faz uma campanha de fomentar a desconfiança na educação e nos professores. Em uma pesquisa, jovens que não viveram a ditadura encerrada em 1983 disseram que aprenderam sobre os terrores do regime na escola. “Para Milei, isso é doutrinação”, comentou.

Juliana Bergmann (UNE) insistiu na importância das políticas públicas de acesso e principalmente de permanência dos estudantes nas universidades. “Ao concluir o ensino superior será que o diploma garantirá ingresso dos jovens no mercado, tendo em vista a uberização do trabalho?”, questionou.

Além do presidente Jairo Bolter, a ADUFRGS-Sindical foi representada pela vice-presidenta, Cleidilene Magalhães, pela diretora de Assuntos Jurídicos e Relações Internacionais do PROIFES-Federação, Regina Witt, a diretora Secretária, Débora Coelho, a diretora de Assuntos da Carreira do Magistério Superior, Ionara Siqueira, e o diretor de Assuntos da Carreira EBTT, Roger Sauandaj Elias.